Cuiabá, a capital de Mato Grosso, deu um passo significativo para a preservação de sua história e fé ao oficializar o reconhecimento do Santuário Eucarístico São João Paulo II e da área onde o pontífice celebrou uma missa em 1991 como patrimônios culturais e religiosos do município. As leis, sancionadas na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, pelo prefeito Abilio Brunini, são um marco nas celebrações dos 35 anos da visita do Papa João Paulo II à cidade, um evento que deixou uma marca indelével na memória dos fiéis e na identidade cultural do Centro-Oeste.

A iniciativa, que confere status de Patrimônios Culturais Cuiabá Papa João Paulo II a esses locais, busca valorizar a importância histórica e religiosa, garantindo a preservação das tradições e a memória para as futuras gerações. Para a população do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, onde a fé católica tem forte presença, este reconhecimento ressoa profundamente, reafirmando a conexão com um dos líderes religiosos mais influentes da história recente.

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Qual a relevância histórica da visita do Papa João Paulo II a Cuiabá?

A visita do Papa João Paulo II a Cuiabá, em 16 de outubro de 1991, foi um momento de grande comoção e significado. Durante sua segunda passagem pelo Brasil, o pontífice reuniu mais de 4,5 mil jovens de diversas regiões do país na capital mato-grossense. Em seu discurso, o Papa abordou temas de grande relevância social e ambiental, que ainda hoje ecoam na região e no mundo.

Ele demonstrou profunda preocupação com a situação dos imigrantes e as condições de vida das crianças, que, segundo ele, estavam entre as principais vítimas da migração descontrolada, expostas à miséria, delinquência, abandono e precariedade. A proteção ambiental também foi um ponto central de sua fala, destacando a intrínseca relação entre a preservação da natureza e o direito fundamental à vida. João Paulo II alertou para a exploração desordenada dos recursos naturais, uma questão particularmente sensível em uma região como o Centro-Oeste, com sua rica biodiversidade e desafios ambientais, afirmando que a busca por ganhos materiais frequentemente se sobrepunha a valores essenciais.

Quais locais foram reconhecidos como patrimônios e o que isso significa?

Duas leis específicas, de autoria do vereador Tenente-Coronel Dias, foram sancionadas para formalizar o reconhecimento. A Lei nº 7.660, de 16 de outubro de 2026, reconhece o Santuário Eucarístico São João Paulo II como patrimônio cultural e religioso de Cuiabá. Mais do que isso, a norma também declara como patrimônio cultural imaterial as celebrações, peregrinações, procissões e demais manifestações de fé realizadas no local. O Santuário, que antes era conhecido como Sesi Papa, foi elevado a essa condição em 2011 pelo então arcebispo de Cuiabá, Dom Milton Santos, e abriga uma relíquia de primeiro grau do santo.

Já a Lei nº 7.661, da mesma data, declara patrimônio histórico e cultural de relevância religiosa a área onde São João Paulo II celebrou a missa em 16 de outubro de 1991. Este espaço é delimitado por um raio aproximado de 60 metros a partir do ponto onde o altar foi instalado. Ambas as leis possuem caráter declaratório e honorífico, com o objetivo primordial de valorizar a importância histórica dos locais e contribuir para a preservação das tradições religiosas ligadas à visita do pontífice.

Para a comunidade católica do Centro-Oeste, essa formalização é um reconhecimento da fé e da história. O Santuário, que já é um ponto de peregrinação, ganha ainda mais relevância, podendo atrair mais fiéis e visitantes, fortalecendo o turismo religioso na região, um setor com grande potencial de desenvolvimento.

Como a comunidade e as autoridades reagiram ao reconhecimento?

Durante a solenidade de sanção das leis, o prefeito Abilio Brunini enfatizou a importância de manter viva a memória de São João Paulo II e de investir na estrutura do espaço para ampliar o acesso de fiéis e visitantes. Ele afirmou, conforme divulgado pela Prefeitura de Cuiabá:

“Quero contribuir para fortalecer esse espaço. A Prefeitura está aqui para servir à comunidade e à nossa população, e vamos continuar trabalhando para que esse local seja cada vez mais valorizado.”

O vereador Tenente-Coronel Dias, autor das leis, ressaltou a importância do reconhecimento oficial para a preservação da história religiosa de Cuiabá e da memória da passagem de São João Paulo II pela capital. Ele declarou:

“Esse reconhecimento é uma forma de valorizar a história de Cuiabá e preservar um espaço que representa a fé de tantas pessoas. A visita de São João Paulo II marcou a cidade, e essas leis ajudam a manter viva essa memória para as próximas gerações.”

O reitor do Santuário Eucarístico São João Paulo II, Padre Marcos Ferrucci, expressou a emoção da comunidade católica ao portal G1:

“Chegamos ao ápice da nossa preparação para a festa de São João Paulo II, pelos 35 anos da visita do Papa a Cuiabá. A emoção é muito grande de poder reviver essa presença entre nós.”

Quais foram os eventos comemorativos dos 35 anos da visita papal?

As sanções das leis ocorreram em meio a uma série de eventos comemorativos dos 35 anos da visita do Papa. A programação incluiu uma missa solene, um show gratuito da renomada cantora católica Celina Borges, que atraiu muitos fiéis, e a inauguração de uma escultura em tamanho real de São João Paulo II. A obra, criada pelo artista português Francisco Charneca, que reside em Cuiabá desde 1996, foi produzida com base em mais de 300 fotografias do pontífice e está localizada na Cruz do Papa, marcando o local da missa histórica.

Além disso, uma exposição de objetos litúrgicos utilizados pelo Papa em 1991, cedidos temporariamente pelo Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, esteve aberta à visitação no Santuário até o dia 16 de outubro de 2026, permitindo aos visitantes um contato mais próximo com a história. Para a comunidade do Centro-Oeste, essas celebrações são uma oportunidade de reviver a fé e a história, fortalecendo os laços com a Igreja e com o legado de São João Paulo II.

A visita papal também é lembrada por detalhes curiosos, como o almoço servido ao pontífice. Raimundo Moreira do Nascimento Filho, um dos garçons responsáveis por atender o Papa e sua comitiva em 1991, ainda guarda a memória e uma fotografia do Vaticano. O cardápio, que destacou a culinária regional, incluiu pratos como mujica de pintado, Maria Isabel e farofa de banana, além de salada e peixe grelhado. Entre as bebidas, o suco de caju chamou a atenção do Papa, que experimentou e repetiu, demonstrando apreço pelos sabores locais. Ele também consumiu suco de acerola e uma taça de vinho. Esses detalhes enriquecem a narrativa da visita e a tornam ainda mais próxima e humana para os moradores da região.

O reconhecimento desses locais como patrimônios é um testemunho da importância duradoura da visita do Papa João Paulo II para a identidade de Cuiabá e de todo o Mato Grosso, servindo como um elo entre o passado e o presente, e um incentivo para a preservação da fé e da cultura local. A iniciativa também se alinha com o crescimento do turismo religioso, um segmento que pode impulsionar a economia e a visibilidade da capital mato-grossense. Para saber mais sobre a vida e os líderes da Igreja na região, confira a notícia sobre o Novo Arcebispo de Cuiabá: Dom Wellington de Queiroz é Nomeado pelo Papa.