Cuiabá, Mato Grosso — O governador reeleito Otaviano Pivetta prepara uma reforma administrativa Mato Grosso que promete ser “radical” a partir de janeiro de 2027. A informação, divulgada pelo portal Rdnews neste domingo, 18 de outubro de 2026, aponta que o ex-secretário de Fazenda, Rogério Gallo, assumirá um papel central como “supersecretário” para conduzir o processo de reestruturação da máquina pública estadual.

A iniciativa de Pivetta visa o enxugamento da estrutura governamental, com a proposta de reduzir o número de secretarias e cargos comissionados. Atualmente, o governo de Mato Grosso conta com 20 pastas, incluindo o Escritório de Representação em Brasília, a Procuradoria e a Controladoria-Geral do Estado. A expectativa é que esse número seja reduzido para, no mínimo, 16 secretarias, por meio de fusões, transformações em adjuntas e novas nomenclaturas.

Por que uma reforma tão radical em Mato Grosso, mesmo com contas ajustadas?

A decisão de Otaviano Pivetta de promover uma reforma administrativa substancial chama a atenção, considerando o cenário financeiro do estado. Mato Grosso apresenta contas públicas ajustadas e destina quase 20% de seu orçamento de R$ 46,1 bilhões para investimentos. Esse panorama, que poderia sugerir estabilidade, é justamente o que permite ao governo focar na eficiência e na otimização dos recursos.

O objetivo principal, segundo apurado, é o “enxugamento da máquina”. Isso implica em uma revisão profunda de órgãos, empresas e autarquias, com a consequente redução de centenas de cargos comissionados. Para os cidadãos do Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, a reforma pode significar uma administração mais ágil e menos burocrática, com potencial impacto na qualidade dos serviços públicos e na destinação dos investimentos.

Qual o papel de Rogério Gallo na nova estrutura do governo Pivetta?

Rogério Gallo, figura conhecida na política e gestão fiscal de Mato Grosso, será um dos principais articuladores da reforma. Ele retornará ao staff do governo como “supersecretário”, encarregado de conduzir discretamente as mudanças. Gallo possui um histórico relevante, tendo atuado como secretário de Fazenda nos governos de Pedro Taques e Mauro Mendes.

Em abril de 2026, ao se despedir da pasta da Fazenda, Gallo destacou que as “medidas duras” adotadas pela gestão de Mauro Mendes foram cruciais para o reequilíbrio financeiro de Mato Grosso. Ele é procurador do Estado desde 2022, o que lhe confere profundo conhecimento da estrutura legal e administrativa. A designação como “supersecretário” sob Pivetta sugere uma amplitude de poder e influência na coordenação da reforma, diferente de sua atuação anterior.

É importante contextualizar que, em 19 de outubro de 2025, o então governador Mauro Mendes (União) negou que Rogério Gallo, à época secretário de Fazenda, tivesse poderes superiores aos demais secretários ou controle político sobre o governo. Mendes rebatia críticas do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), que afirmava que a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 transformara Gallo em um “supersecretário”. No entanto, a situação atual é distinta: a notícia do Rdnews, de outubro de 2026, refere-se a um plano do governador reeleito Otaviano Pivetta, indicando um novo contexto e uma nova atribuição para Gallo na próxima gestão.

O que muda para a administração pública e os servidores em Mato Grosso?

A proposta de reforma administrativa de Pivetta, focada na fusão e reestruturação de secretarias, terá um impacto direto na organização do trabalho e na alocação de pessoal. A redução de 20 para ao menos 16 pastas significa que diversas estruturas serão unificadas ou transformadas em adjuntas, exigindo uma redefinição de funções e responsabilidades.

A principal mudança para os servidores e para a máquina pública do Centro-Oeste, especificamente em Mato Grosso, será a redução de centenas de cargos comissionados. Embora a pesquisa não detalhe o impacto sobre servidores efetivos, o foco no “enxugamento” geralmente busca otimizar o quadro de pessoal e aprimorar a eficiência. Para os cidadãos, a expectativa é de uma gestão mais enxuta e focada em resultados, com menos burocracia e, idealmente, melhor prestação de serviços.

Como a reforma estadual se diferencia das discussões federais?

É fundamental distinguir a reforma administrativa planejada pelo governo de Otaviano Pivetta em Mato Grosso das discussões e propostas em nível federal. No Brasil, o tema da reforma administrativa tem sido recorrente, com propostas como a PEC 32/2020, apresentada em setembro de 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, que visava modernizar a gestão pública e alterar regras para futuros servidores.

Mais recentemente, em outubro de 2025, uma nova PEC da reforma administrativa (PEC 38/25) foi elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados, com foco em eficiência, governo digital, reestruturação de carreiras e combate a privilégios. Embora ambas as esferas compartilhem o objetivo de modernizar a gestão pública, a reforma de Mato Grosso é uma iniciativa estadual específica, adaptada às necessidades e ao contexto do governo de Otaviano Pivetta, e não está diretamente ligada às propostas em tramitação no Congresso Nacional.

A reforma de Pivetta representa um movimento estratégico para consolidar a eficiência na gestão estadual, aproveitando o momento de estabilidade financeira para redefinir a estrutura administrativa e otimizar a aplicação dos recursos públicos em benefício da população de Mato Grosso.