O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, a Operação Cathedra Venalis em Mato Grosso. A ação investiga 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá, por suspeitas de corrupção e irregularidades ligadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. O nome da operação, em latim, significa “cadeira venal” ou “cargo negociado”, fazendo referência ao foco das apurações.
A operação mobilizou mais de 200 policiais e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. As diligências buscam recolher documentos, celulares e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos, que incluem possível compra de votos, obtenção de vantagens indevidas e cooptação de agentes públicos.
Impacto para o cidadão do Centro-Oeste
Para os moradores de Várzea Grande, a operação tem um impacto direto na governança municipal. A investigação foca nas irregularidades da eleição da Mesa Diretora da Câmara, cujo pleito anterior, realizado em maio de 2026 e que reelegeu Wanderley Cerqueira, foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A anulação ocorreu por descumprimento do marco temporal adequado para a votação. Uma nova eleição ainda não tem data definida, o que mantém a liderança do poder legislativo municipal em aberto e pode trazer mudanças significativas na composição e direção da Câmara.
Em Cuiabá, embora dois vereadores sejam alvos da operação, a Câmara Municipal, por meio de sua presidente Paula Calil (PL), declarou que acompanha os desdobramentos. A instituição ressaltou que eventuais condutas individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes e não representam a atuação institucional do Legislativo cuiabano. A Câmara reafirmou seu compromisso com a transparência, a ética e a legalidade, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.
Vereadores Investigados por Cidade
No geral, a Operação Cathedra Venalis busca combater a corrupção e garantir a probidade na administração pública. Caso as acusações sejam confirmadas, a expectativa é de que haja maior transparência e ética na gestão dos recursos públicos e na representação política, beneficiando indiretamente os cidadãos da região, que esperam por uma gestão mais íntegra e responsável e que seus impostos sejam aplicados corretamente.
Vereadores e outros alvos da investigação
As investigações do Gaeco miram um total de 15 parlamentares. Treze deles atuam em Várzea Grande, e dois em Cuiabá. Além dos vereadores, a operação também tem como alvos uma servidora pública e um suplente de vereador em Várzea Grande.
| Cidade | Nome do Vereador | Partido |
|---|---|---|
| Várzea Grande | Wanderley Cerqueira | MDB |
| Várzea Grande | Alessandro Moreira | MDB |
| Várzea Grande | Braz Jaciro | PSDB |
| Várzea Grande | Cilço da Cruz (Cilcinho) | PV |
| Várzea Grande | Denival Galibert (Sargento Galibert) | PSB |
| Várzea Grande | Emerson César (Enfermeiro Emerson) | PP |
| Várzea Grande | Gisa Barros | Podemos |
| Várzea Grande | Kleberton Feitoza | PSB |
| Várzea Grande | Lucélia Oliveira | AGIR |
| Várzea Grande | Miguel Angel (Dr. Miguel Júnior) | Cidadania |
| Várzea Grande | Raul Coelho (Raul Curvo) | Republicanos |
| Várzea Grande | Wender Silva (Wender Madureira) | Republicanos |
| Várzea Grande | Rosemary Souza Prado (Rosi Prado) | União Brasil |
| Cuiabá | Ilde Taques | Podemos |
| Cuiabá | Alex Rodrigues | Podemos (Há divergência, outras fontes citam PV) |
Os outros alvos da Operação Cathedra Venalis são Lorineide Inhan, diretora financeira da Câmara de Várzea Grande, e Samir Katumata, secretário legislativo da Câmara e suplente de vereador pelo PL.
O que dizem os envolvidos
O vereador Ilde Taques (Podemos), de Cuiabá, por meio de seu advogado Eduardo Mahon, afirmou não ter "qualquer relação com articulações políticas, muito menos ilegais" sobre a eleição da mesa diretora de Várzea Grande. Segundo seu advogado, Ilde Taques colaborou com as autoridades durante a operação, e nada foi encontrado que o relacione a atividades irregulares. O vereador ainda não teve acesso ao processo, que tramita sob sigilo.
A Câmara Municipal de Cuiabá, por sua vez, por meio da Presidente Paula Calil (PL), emitiu uma declaração. O comunicado diz que a instituição acompanha os desdobramentos e que eventuais condutas individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes, não representando a atuação institucional do Legislativo cuiabano. A Câmara reafirmou o compromisso com a transparência, a ética e a legalidade, colocando-se à disposição para colaborar.
Contexto e histórico da Operação Cathedra Venalis
A Operação Cathedra Venalis é um desdobramento direto de um cenário de instabilidade política e denúncias na Câmara Municipal de Várzea Grande. Em maio de 2026, o Ministério Público instaurou um inquérito para investigar o vereador Wanderley Cerqueira, atual presidente da Câmara, e outros 11 parlamentares. As suspeitas incluíam ameaça, extorsão, chantagem, corrupção e cárcere privado, todas relacionadas à eleição da Mesa Diretora.
Naquela época, denúncias apontavam para imagens de vereadores reunidos em uma chácara na véspera da eleição, o que foi interpretado como um "confinamento" para alinhar votos. A eleição de 14 de maio, que resultou na reeleição de Cerqueira, foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por descumprimento do marco temporal adequado para a votação. Este histórico de irregularidades na disputa pelo comando do Legislativo de Várzea Grande culmina agora na deflagração da Operação Cathedra Venalis.
O Gaeco, força-tarefa integrada por membros do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo, é o órgão responsável pela condução da operação. Sua atuação é fundamental para investigar crimes complexos contra a administração pública e o crime organizado, como já demonstrado em outras ocasiões na região.
Próximos passos da investigação
A investigação do Gaeco segue em andamento, com o objetivo de reunir novos elementos de prova sobre a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública. É importante ressaltar que os mandados de busca e apreensão não representam, por si só, comprovação de culpa dos investigados. As autoridades continuarão analisando os materiais apreendidos para aprofundar as apurações e, se for o caso, formalizar as acusações. A expectativa é que, com o avanço das investigações, mais detalhes sobre o suposto esquema de corrupção venham à tona, definindo os próximos passos judiciais para os envolvidos.